A Intenção é a Última que Morre
E se o futuro não fosse feito de grandes eventos, mas de intenções não ditas?
Essa série de obras foi desenvolvida para participação da iniciativa Museu das Profecias da Overlens.
Este projeto apresenta fragmentos visuais de um futuro onde a intenção — essa entidade invisível que move criações, relações e destruições — ganha corpo e cor. Um relicário imagético de intenções humanas: algumas redentoras, outras suspeitas, muitas contraditórias. Cada imagem é a tentativa de capturar aquilo que permanece mesmo no silêncio absoluto: o impulso que antecede o gesto, a motivação que não pede audiência.
O trabalho nasce da consciência de que o criador também é criação. O artista não está acima da história — está dentro dela, com todas as suas feridas, seus medos de amadurecer, suas recusas em repetir o que herdou. A obra é um espelho invertido: não para ver quem somos, mas para vislumbrar quem poderíamos ter sido se tivéssemos escutado mais.
A Intenção é a Última que Morre propõe uma arqueologia do invisível. A série parte da hipótese de que o futuro não será moldado por fatos espetaculares, mas por intenções silenciosas — aquelas que permanecem mesmo quando a plateia se dispersa.
Aqui, o artista apresenta fragmentos de um mundo que ainda não chegou, mas que já vibra nas margens do presente. Um mundo onde os traumas são reconhecidos, não glorificados. Onde as fragilidades humanas são compostas como matéria-prima para imaginar outra forma de existir.
Esta obra não busca prever. Ela expõe o desejo de transformar a própria lente — de desprogramar os padrões herdados, acolher a maturidade como gesto radical e habitar a vulnerabilidade como linguagem estética.
O Espelho Coberto, O Véu que Respira
Na penumbra de um quarto abandonado, um espelho sustenta um gesto impossível: o tecido que não cobre nada, mas insiste em existir como se tivesse pulmões.
O véu flutua, entre matéria e memória, revelando uma presença que não se mostra por inteiro. Ele respira em nome do que foi silenciado, como se o próprio ar carregasse intenções esquecidas.
Neste relicário de poeira e luz, a profecia não é sobre o futuro distante, mas sobre o que persiste quando tudo parece ter ruído. O espelho já não reflete corpos, mas a ausência que nos olha de volta.
É a tentativa do invisível de atravessar o vidro — um chamado para reconhecer aquilo que nunca foi dito, mas sempre esteve ali, suspenso entre o dentro e o fora, o que permanece e o que já se perdeu.
O O Espelho Coberto, O Véu que Respira é lembrança e presságio: uma coreografia do intangível.

Imagem desenvolvida com a IA do Freepik.
Prompt: A surrealist fine art photograph in analog aesthetic, intended for a gallery exhibition. An antique baroque mirror, partially covered with translucent organza, stands in an empty, dusty room with peeling plaster walls and old dry wooden floorboards. Reflected in the glass, a trembling, hazy and distorted human-like silhouette appears as if trying to emerge from within. Captured with a Hasselblad 500C/M camera using an 85mm lens from a low angle, the image follows the rule of thirds. Hard dramatic lighting cuts through the ambient haze, creating stark contrast between the subject and its surroundings. A soft breeze gently lifts the organza, while suspended dust particles and intense film grain add texture. The edges of the frame are subtly distorted, the mirror surface shows faint cracks, and the silhouette's reflection is warped — evoking a surreal sense of self-denial and confinement.
Semente que não se planta
A obra parte da metáfora da semente como símbolo universal de potencialidade — aquilo que carrega, em si, todas as possibilidades de futuro, mas que depende de um gesto inicial para transformar-se em vida. No entanto, aqui, a semente repousa sobre um solo rachado, suspensa entre o desejo e a ação, como se estivesse presa a um instante eterno de indecisão.
Essa suspensão não é apenas física, mas também ética, emocional e política. Representa as intenções que acumulamos e não concretizamos: sonhos adiados, palavras não ditas, gestos contidos pelo medo, pela apatia ou pela espera de condições ideais que nunca chegam. A imagem questiona: Quantos futuros abortamos por não assumir o risco de plantá-los?
A escolha estética pelo chão árido e o enquadramento próximo reforça a tensão entre fragilidade e resiliência. A aridez aponta para um contexto hostil — social, ambiental ou íntimo —, enquanto a proximidade revela que mesmo em territórios estéreis há potência de vida. É, portanto, uma reflexão sobre a urgência de agir antes que o tempo e as circunstâncias tornem o solo infértil para sempre.
Mais do que uma representação de inércia, Semente que não se planta é um convite a reconhecer que a intenção, por si só, não muda o mundo. É preciso o gesto — imperfeito, incerto, vulnerável — para que qualquer futuro possa germinar.

Imagem desenvolvida com a IA Firefly da Adobe.
Prompt: Digital painting, intimate and contemplative, cinematic aesthetic, metallic seed with oil-slick iridescence and almond shape, conveying melancholy and curiosity, cracked dry soil like arid land, abstract visible horizon with sense of vastness, low angle looking towards the horizon, Canon EOS 5D Mark IV, 85mm telephoto lens, dramatic side lighting with golden hour tones, depth-focused and minimalist composition, floating dust particles, subtle glowing aura around the seed, ethereal atmosphere, suspended-in-time feeling.
Paragraph Form: A cinematic digital painting of a metallic almond-shaped seed with oil-slick iridescence, hovering above cracked dry arid soil, in front of an abstract visible horizon that evokes vastness. Shot from a low angle with a Canon EOS 5D Mark IV and an 85mm telephoto lens, bathed in dramatic golden-hour side lighting, using a minimalist composition with strong depth of field. Floating dust particles shimmer in the light as a subtle glowing aura surrounds the seed, creating an ethereal
O Peso da Intenção
A obra revela uma semente metálica, suspensa sobre um chão ressecado, carregando em si o mistério daquilo que ainda não se tornou. Sua superfície densa e polida reflete o mundo ao redor, como um espelho silencioso das possibilidades que habitam o pensamento humano. Antes que o gesto se manifeste, antes que a ação se concretize, a intenção floresce no espaço íntimo das decisões, firme e silenciosa. O solo rachado abaixo contrasta com a vitalidade contida na semente, lembrando que a força do futuro não depende apenas do ato, mas da persistência das intenções que guardamos.
Entre o ser e o tornar-se, a semente nos convida a refletir sobre responsabilidade, liberdade e transformação: o que seria do mundo se nossas intenções permanecessem intactas, mesmo sem que delas surgissem efeitos palpáveis? A obra celebra, assim, o poder invisível do ainda não ocorrido, mostrando que a promessa de futuro já existe dentro de nós — luminosa, inteira, carregada de significado e de possibilidades. Cada reflexo em sua superfície é um lembrete de que o mundo se constrói tanto na ação quanto na contemplação, e que o invisible pulsa com a mesma intensidade do visível.

Imagem desenvolvida com a IA do Freepik.
Prompt: Digital painting, intimate and contemplative, cinematic aesthetic, metallic seed with oil-slick iridescence and almond shape, conveying melancholy and curiosity, cracked dry soil like arid land, abstract visible horizon with sense of vastness, low angle looking towards the horizon, Canon EOS 5D Mark IV, 85mm telephoto lens, dramatic side lighting with golden hour tones, depth-focused and minimalist composition, floating dust particles, subtle glowing aura around the seed, ethereal atmosphere, suspended-in-time feeling.
Paragraph Form: A cinematic digital painting of a metallic almond-shaped seed with oil-slick iridescence, hovering above cracked dry arid soil, in front of an abstract visible horizon that evokes vastness. Shot from a low angle with a Canon EOS 5D Mark IV and an 85mm telephoto lens, bathed in dramatic golden-hour side lighting, using a minimalist composition with strong depth of field. Floating dust particles shimmer in the light as a subtle glowing aura surrounds the seed, creating an ethereal atmosphere and a sense of time suspended.
AVISO LEGAL – Projeto A Intenção é a Última que Morre
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